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5 de nov. de 2012

Escravidão negra no Brasil

Mês da Consciência Negra, utilizarei um trecho do historiador José Murilo de Carvalho. Todas as imagens que aparecem são do pintor francês Jean Baptiste Debret.


O fator mais negativo para a cidadania foi a escravidão. Os escravos começaram a ser importados na segunda metade de século XVI. A importação continuou ininterrupta até 1850, 28 anos após a independência. Calcula-se que até 1822 tenham sido introduzidos na colônia cerca de 3 milhões de escravos. Na época da independência, numa população de cerca de 5 milhões, incluindo uns 800 mil índios, havia mais de 1 milhão de escravos.


Embora concentrados nas áreas de grande agricultura exportadora e de mineração, havia escravos em todas as atividades, inclusive urbanas. Nas cidades eles exerciam várias tarefas dentro das casas e na rua. Nas casas, as escravas faziam o serviço doméstico, amamentavam os filhos das sinhás, satisfaziam a concupiscência dos senhores. Os filhos dos escravos faziam pequenos trabalhos e serviam de montaria nos brinquedos dos sinhozinhos.


Na rua, trabalhavam para os senhores ou eram por eles alugados. Em muitos casos, eram a única fonte de renda de viúvas. Trabalhavam de carregadores, vendedores, artesãos, barbeiros, prostitutas. Alguns eram alugados para mendigar. Toda pessoa com algum recurso possuía um ou mais escravos. O Estado, os funcionários públicos, as ordens religiosas, os padres, todos eram proprietários de escravos. Era tão grande a força da escravidão que os próprios libertos, uma vez livres, adquiriam escravos. A escravidão penetrava em todas as classes, em todos os lugares, em todos os desvãos da sociedade: a sociedade colonial era escravista de alto a baixo.



Trecho de: CARVALHO, José Murilo. Cidadania no Brasil: um longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, p. 19-20.

1 de ago. de 2012

Vocês já viram essa imagem?

Tradução da frase: Nós podemos fazer isso!
Essa imagem é uma propaganda estadunidense* criada entre 1942 ou 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, convocando as mulheres para trabalharem fora de casa. O contexto era o seguinte: a guerra estava ocorrendo e os soldados estavam se alistando e sendo convocados para a luta. Como os soldados eram em sua maioria homens, as empresas e fábricas começaram a ficar sem os seus empregados. Como a economia não podia parar, principalmente nesse momento de guerra em que os gastos são altos, as mulheres foram trabalhar fora de casa.

Sim, houve um tempo (não muito longe) que as mulheres não podiam trabalhar fora de casa. Eram criadas para o lar, para serem boas mães e conseguirem bons casamentos. Entretanto, a situação obrigou elas a saírem de casa e irem trabalhar. Na Primeira Guerra Mundial já tinha ocorrido, mas depois a situação havia retornado ao que era antes. Agora, a partir desse contexto, as mulheres saíram e algumas não voltaram mais para casa e começaram, cada vez mais, a reivindicar direitos e igualdade com os homens.

Esse cartaz foi inspirado em uma trabalhadora da época. Geraldine Doyle Hoff foi fotografada aos 17 anos enquanto trabalhava como operária no American Broach & Machine Co. Na foto abaixo, você pode visualizar a musa e a obra:



*Dicionário: estadunidense =  pertencente aos Estados Unidos da América (EUA).

18 de set. de 2011

Independência ou Morte!

Esse post continua sendo dos meus achados para o estágio. Com a indicação do meu professor orientador do estágio, encontrei um trecho do filme brasileiro “Independência ou Morte”, de 1972, com o Tarcísio Meira no papel de Dom Pedro.
Em 1972, a independência do Brasil completava 150 anos (1822). Além disso, estávamos em plena ditadura civil-militar no Brasil, ou seja, produzir um filme que retratasse a formação do Estado, com um Dom Pedro defendendo a pátria brasileira contra os portugueses que desejavam recolonizá-la, era uma bela propaganda para o Estado brasileiro e, de forma direta, para o governo vigente que valorizava os símbolos nacionais, como a bandeira ou o hino nacional.
O trecho que eu encontrei mostra a “cena histórica” do grito do Ipiranga e a coroação de Dom Pedro I. As cenas foram copiadas de quadros famosos do Pedro Américo e do Debret. Acredito que o importante era ser o mais fiel possível à história oficial, aos quadros e as datas, buscando retratar (na medida do possível) o que realmente aconteceu naquele dia.

Segue o trecho do filme:

E os quadros que aparecem nessas cenas:

Debret – Coroação de Dom Pedro I (pintado por volta de 1828)

Pedro Américo – Independência ou Morte (1888)


Inté!

6 de set. de 2011

Amanhã é feriado! De que mesmo?

Amanhã é sete de setembro. Há 189 anos, Dom Pedro organizava a independência do Brasil, que deixava ser colônia de Portugal e se tornava um país independente. Escrevendo dessa forma, fica tudo muito bonito, mas vamos contextualizar mais um pouco.
Desde 1808, quando a família real de Portugal por aqui chegou, fugindo das tropas do Napoleão, o Brasil mudou. Instituições foram criadas, os portos foram abertos a outras nações para realizar comércio por aqui, um príncipe regente morava pela primeira vez em uma colônia e todo um aparato de corte e antigo regime por aqui ficou e se adaptou aos trópicos.
Em 1821, Dom João VI retorna para Portugal deixando seu filho e uma colônia que não era mais colônia, mas um Reino Unido a Portugal. Por mais que os portugueses que pela Europa ficaram quisessem recolonizar o Brasil, a situação não poderia voltar ao que era antes de 1808. No entanto, quem arquitetou a independência foi um português, filho da família real de Portugal e não muito vinculado com o povo. Nossa independência não foi popular, não foi feita pelas pessoas daqui e não tem um herói que se sacrificou em honra  à Pátria. Como se sentir brasileiro dentro dessa situação?
A população observou tudo à margem, como se assistisse um teatro a céu aberto. No quadro, destacamos o canto esquerdo, com trabalhadores rurais, pessoas comuns do povo. Observem suas posturas e rostos (clique na imagem para ampliá-la):

Quadro "Independência ou Morte", de Pedro Américo, pintado por volta de 1888. Isso mesmo, uns 60 anos depois do ocorrido.