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7 de jun. de 2012

Quer que desenhe?

Esse post é uma dica de um vídeo retirado do site Um Sábado Qualquer. Esse site é muito bom, eu sou fã das tirinhas e histórias de Deus e sua turma. O dono do site, Carlos Ruas, de vez em quando cria uns vídeos para explicar alguns assuntos relacionados ao tema do site.

O vídeo escolhido trata de forma breve, mas muito clara, algumas vertentes religiosas. Achei interessante para trabalhar com os alunos.

Segue o vídeo:

Inté!


31 de mai. de 2012

Imagem da semana

Não adianta reclamar dos políticos corruptos se não formos honestos em pequenas atitudes cotidianas. Diz um ditado que "a ocasião faz o ladrão", o que você faria se tivesse a oportunidade de se envolver com o dinheiro público como os políticos têm?

20 de mai. de 2012

O que é patrimônio?

A palavra patrimônio possui diferentes significados que estão relacionados a uma ideia de coleção de bens: podem ser os bens financeiros que uma pessoa ou empresa herda ou adquire ao longo de um tempo, até um conjunto de bens que simbolizam e representam um grupo de pessoas dentro de um espaço e tempo.
O nosso estudo estará centrado nesse segundo conceito de patrimônio, que se relaciona com a história, memória e identidade de uma coletividade. Nos últimos anos, a questão da memória e da preservação histórica se tornou importante na sociedade. Diversos museus, memoriais e arquivos foram construídos para se conservar diferentes histórias de pessoas ou instituições particulares ou governamentais. A multiplicação desses espaços de memória está relacionada com a ideia de patrimônio, de não esquecimento desses momentos dentro da história, além de incentivo à pesquisa e conservação.
A noção de patrimônio histórico surgiu na Idade Moderna, quando os primeiros Estados Nacionais europeus estavam se formando. A concepção de nação, grupo de pessoas que se identificam através da língua e dos costumes comuns, se tornou uma preocupação com as gerações futuras. Como tornar as próximas gerações pertencentes a essa nação? Era necessário preservar a memória nacional, para que os novos cidadãos se sentissem identificados e pertencessem a essa nação. Essa herança cultural originaria um sentimento de pertencimento dos cidadãos para esse espaço que estava sendo construído.
A partir disso foram elaborados arquivos nacionais e museus, onde eram guardados objetos reais ou dos grupos mais ricos daquela sociedade. Portanto, havia uma escolha dos objetos a serem preservados nesses espaços de memória e essa seleção era dada através dos grupos mais influentes e divulgada como nacional. Ensinava-se que todos pertenciam aquele espaço territorial, porém a grande maioria não se identificava com os objetos destacados.
Nos últimos anos, ocorreu uma mudança de significado sobre o patrimônio histórico e artístico. Ao invés de uma história nacional, centrada no passado heróico dos grupos sociais mais ricos, foi se percebendo que diversos grupos estão presentes dentro de um Estado nacional e que ao invés de uma identidade e história, existem diferentes identidades e histórias. O foco passou da unidade para a pluralidade de grupos sociais reivindicando suas memórias e identidades. O patrimônio histórico e artístico transformou-se em patrimônio cultural, representando as manifestações, realizações e representações de uma comunidade. Dentro desse novo conceito, os objetos, prédios e monumentos antigos continuam sendo preservados, porém representações imateriais, como danças, festas e expressões culturais de diversos grupos são consideradas patrimônio por estar vinculado a identidades e memórias de uma coletividade. Acentua-se o caráter de seleção, pois são as pessoas atuais que determinam os bens culturais que as representam no seu passado e presente, que as identificam como sujeitos históricos e cidadãos plenos que constroem as suas memórias. O presente também conta, não somente a sua significação no passado.
Portanto, a palavra patrimônio não é um termo de simples compreensão. Primeiro, por ter diferentes significados. Segundo, por incorporar visões complexas de como a sociedade se apropria de sua história e constrói a suas memórias e identidades. Com o passar do tempo, essas visões vão se modificando dificultando mais ainda a interpretação desse conceito.

17 de mai. de 2012

Dia de Combata a Homofobia

Blogueira correndo pois é final de faculdade e as demandas são grandes.

Mas hoje é Dia de Combate a Homofobia! Faça parte dessa luta!



3 de abr. de 2012

Fotografia: registro da História numa linguagem de imagem


A fotografia surgiu na década de 1830 e nesses quase duzentos anos mudou a forma de registrar os momentos vividos. Cada vez mais a facilidade de ter algum aparelho com câmera fotográfica e a rapidez de compartilhar, divulgar ou vender essa imagem se tornou maior. No entanto, será que a foto reproduz completamente o que foi fotografado?

Até o início do século XX pensava-se que as fotos eram provas infalíveis, como um espelho que refletia o que havia sido fotografado. Não se tinha dado conta que a máquina fotográfica por si só não produz imagens, é necessário que alguém a manipule. Se alguém “tira” a foto, está usando a sua subjetividade, a sua maneira de ver o mundo. Além disso, se o retrato for com pessoas, elas estão posando de uma forma que consideram o resultado final satisfatório. O significado do “bonito”, do que é “adequado” para a foto, muda ao longo do tempo. Antigamente as pessoas não sorriam nas fotografias. O retrato era feito com elas sérias, posando de maneira estática. Isso era uma convenção social, considerava-se “feio” ou “errado” sorrir nas fotos. Com o tempo isso foi se modificando, principalmente porque a máquina fotográfica e a foto foram se tornando mais baratas, proporcionando o registro de outros momentos e em maior quantidade.

Portanto, observar fotografias antigas é uma forma de estudar história. Porém, não se pode perder de vista a ideia de vestígio: as fotos não mostram como era realmente determinado lugar ou indivíduos, porém dão pistas do que foi aquele pequeno momento no passado. Memórias podem ser criadas pela visualização desse registro, e tudo depende de quem observa aquela fotografia. Visualizar a fotografia de Getúlio Vargas para um adolescente do século XXI, que estudou o governo Vargas na escola, é completamente diferente de uma pessoa mais velha que viveu na época em que Vargas era presidente. O adolescente pode se lembrar do livro didático ou da professora de História falando, enquanto a pessoa mais velha pode se lembrar do dia em que Getúlio morreu ou do que estava vivendo naquele contexto histórico.

Referência: MAUAD, Ana Maria. “Através da Imagem: Fotografia e História Interfaces”. Revista Tempo, Rio de Janeiro, vol. 1, n° 2, 1996, p. 73-98.

12 de mar. de 2012

Historiadores pra quê?

Algumas perguntas volta e meia reaparecem nas discussões dos historiadores ou do público em geral (principalmente os alunos irritados com os trabalhos e provas da disciplina). "Historiadores pra quê?", "Por que ensinar História?", "O que eu ganho aprendendo sobre situações que já passaram?", são alguns exemplos.

O post de hoje é do "mundo dos historiadores". Traz uma discussão sobre a validade de se estudar História somente dentro dos muros da universidade. Vale a pena o conhecimento histórico permanecer em textos acadêmicos, artigos de revistas científicas, apresentações em simpósios, dificultando o acesso ao público geral que gosta de História? Ser professor acadêmico e ter a possibilidade de garantir pesquisas na área com o apoio estatal é o único objetivo de quem estuda a disciplina? O "encantamento" e a curiosidade que a História traz junto com seus métodos científicos deve ficar guardado para os "não-iniciados"? Historiadores escrevem academicamente e cheio de conceitos e expressões difíceis, enquanto jornalistas escrevem sobre História de maneira simples e agradável ao leitor que nunca cursou uma graduação na área, mas adora História do Brasil? Onde está a História para os Historiadores?

Keila Grinberg é professora de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Seus estudos estão inseridos na História da escravidão no Brasil, principalmente nas estratégias jurídicas utilizadas pelos escravos para conseguir a liberdade ao longo do século XIX.

O texto na autora foi retirado desse site. Aproveite a leitura!


Historiadores pra quê?

À luz do debate que sacode o campo de história estadunidense sobre a função social dos historiadores, Keila Grinberg contrapõe, em sua coluna de março, as expectativas do graduando em história no Brasil e a realidade que ele encontra depois de formado. A reflexão sugere um novo direcionamento profissional nos cursos de pós-graduação na área.


Pergunte a qualquer estudante de pós-graduação em história no Brasil o que ele quer ser quando defender, e a resposta vai ser quase sempre a mesma: professor universitário. Nos Estados Unidos também é assim. Mas a realidade dos doutores recém-formados tem sido bem diferente da expectativa. Com a crise econômica, a maioria, quando acha emprego, acaba trabalhando em museus, escolas e outros lugares tidos como de menor prestígio.

A redução de vagas no mercado de trabalho universitário para a área de humanidades – o que, aliás, acontece nos Estados Unidos desde a década de 1970 – é a provável razão por trás da grande discussão sobre os programas de pós-graduação em história e a função social dos historiadores que está sacudindo o campo desde outubro do ano passado naquele país. Ainda que a motivação seja mesmo esta, ela está vindo para o bem.

Em outubro de 2011, Anthony Grafton, presidente da Associação Americana de História, e Jim Grossman, diretor-executivo da entidade, escreveram o artigo “No more plan B” (Não mais plano B, em tradução livre), defendendo que as chamadas carreiras alternativas, principalmente no campo do ensino e da história pública, não deveriam ser mais o plano B dos recém-doutores na área de história, mas sim o caminho principal. E isto não apenas porque falta vaga no mercado, mas porque os historiadores devem rever a sua relação com a sociedade, deixando de ver a si mesmos apenas como profissionais que pesquisam e ensinam dentro da universidade.

O artigo caiu como uma bomba no meio acadêmico. Houve quem criticasse, dizendo que Grafton só defendia essas ideias por ser, ele próprio, professor de Princeton, uma das universidades de pesquisa mais prestigiadas dos Estados Unidos. Mas prefiro entrar na fila dos que aplaudiram, como Claire Potter e Thomas Bender, ambos professores da Universidade de Nova Iorque.

De maneiras diferentes, os dois defendem uma mudança radical no ensino universitário de história: Bender, para recuperar o comprometimento dos intelectuais com a vida pública que marcou a formação universitária na área de humanidades no século 19; e Potter, para defender que o trabalho do historiador no século 21 deve ser feito em conjunto e acessível ao grande público, um modelo radicalmente diferente daquele do pesquisador solitário, em vigor no século passado, que escreve somente para seus pares.
Para dar conta das novas tecnologias e para estar em dia com a produção acadêmica internacional, o historiador deve trabalhar em conjunto

Segundo Potter, os historiadores, para dar conta das novas tecnologias, das variadas formas de divulgação dos resultados de suas pesquisas, e para estar em dia com a produção acadêmica internacional, deve trabalhar em conjunto com outros historiadores. E isto vale também para o ensino e para um diálogo mais igualitário e engajado com o público (que, nas universidades do Brasil, poderíamos chamar de extensão).

Nisto não há muita novidade, a não ser a constatação, comum a ambos, de que o ensino universitário de história está muito longe de prover as competências necessárias para que os recém-formados possam se adequar aos novos tempos do mundo real. As disciplinas existentes na maioria dos cursos de pós-graduação em história são orientadas tão somente para a especialização excessiva e para a pesquisa individual.

Perda total

No Brasil, estamos no mesmo barco. A diferença é que a Associação Americana de História acabou de se engajar em um grande projeto de reflexão sobre a profissão, que, nos próximos três anos, vai estudar e discutir os currículos de várias universidades dos Estados Unidos. 

Enquanto isso, aqui, são pouquíssimos os cursos de graduação em história que têm disciplinas como “Patrimônio” ou “Relações internacionais” em seus currículos. Candidatos a historiadores pouco estagiam em museus ou em centros culturais. Mesmo a área de ensino de história na educação básica é frequentemente neglicenciada. O resultado disso é que a maioria dos graduados na área foge das salas de aula dos ensinos fundamental e médio e nenhum curso de pós-graduação se dedica a formar professores para a educação básica.

Dos 63 cursos de mestrado e doutorado existentes na área de história no início de 2012 no Brasil, apenas dois são mestrados profissionais, um dos quais especializado em bens culturais e projetos sociais. Nenhum é devotado ao ensino de história.

Para se ter uma ideia do contraste com outras áreas, existem hoje 72 cursos de pós-graduação no Brasil dedicados exclusivamente ao ensino de ciências – física, química, biologia, ciências da terra – e matemática, entre mestrado profissional (39), mestrado acadêmico e doutorado.

Da mesma maneira, a produção acadêmica resultante de trabalhos realizados em conjunto é frequentemente desvalorizada. Por decisão dos próprios historiadores, os livros didáticos – realizados necessariamente em equipe – não são considerados pela Capes como produção intelectual qualificada, item de fundamental importância na avaliação dos programas de pós-graduação.
Dos 63 cursos de mestrado e doutorado em história no Brasil, nenhum é devotado ao ensino

O mesmo vale para textos escritos em parceria, principalmente se a coautoria for entre aluno e professor – há quem desconfie que ou o professor se aproveita do trabalho do aluno ou o aluno se aproveita do prestígio do professor para publicar – e para o conhecimento divulgado em outros meios que não a palavra escrita, como filmes e sites.

A flagrante competição entre os programas de pós-graduação – têm mais recursos e bolsas de estudos aqueles cujos professores têm produção acadêmica considerada mais qualificada – completa o quadro.

Daí não ser de espantar que a maioria dos pesquisadores da área de história só se dedique a escrever livros, artigos e capítulos para serem lidos por seus pares; que suas aulas sigam esse mesmo padrão; e que seus alunos tenham no horizonte apenas a restrita carreira acadêmica.

Seguindo esse padrão, perdemos todos: pesquisadores, professores e alunos; Perdem os programas de pós-graduação, viciados em produzir apenas o que é bem pontuado na avaliação da Capes; perdem os alunos universitários, que têm uma formação voltada para um trabalho que dificilmente exercerão e que deixam de ser qualificados em competências que fatalmente deverão desenvolver.
E perde o público, ávido por ler bons livros, ver bons filmes, frequentar bons museus e navegar em bons sites de história.