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26 de jan. de 2012

Elis Regina: Um diamante verdadeiro

Olá pessoal!

Blogueira de férias, portanto recorro mais uma vez ao site da Revista de História da Biblioteca Nacional para trazer novidades por aqui. Esse ano, 2012, completam-se trinta anos da morte de Elis Regina, que morreu precocemente aos 36 anos. Eu gosto muito de escutá-la e é uma pena que não tive a oportunidade de vê-la em um show.

Segue a reportagem retirada do site da RHBN sobre a cantora que pode ser vista completamente aqui. Aproveite!!!!

Um diamante verdadeiro

Elis Regina contraria expectativas e chega ao topo em sua vida breve

Celso de Castro Barbosa


No prefácio de “Furacão Elis”, biografia que Regina Echeverria lançou apenas três anos depois da morte da cantora, Hamilton Almeida Filho, o Hamiltinho, jornalista e marido da autora,  matou a charada.  “Essa Elis, mulher, por muito tempo foi a voz que nos revelou o quanto morríamos de saudade do Brasil”.
Pobre, vesga, rechonchuda, tampinha – só cresceu até 1,53m – e linda, Elis Regina Carvalho Costa (1945-1982) nasceu na periferia de Porto Alegre e viveu a infância e adolescência num conjunto habitacional*. Tinha tudo para dar errado. Não deu. Compõe qualquer lista das maiores cantoras populares do século XX, com a vantagem de ser muito mais versátil do que Ella Fitzgerald, Billie Holiday ou Edith Piaf. Além do blues, do jazz e das canções românticas que as divas consagraram, ela também mandava muito bem no samba, rock, bolero, bossa nova, Milton Nascimento (um gênero à parte), em tudo o que tem a ver com melodia, ritmo e harmonia. E com uma mistura de técnica e emoção de cair o queixo.
Uma vez Elis contou que tinha tanto som dentro da cabeça que era inevitável, em algum momento, pôr tudo pra fora. Pôs ainda menina, vencendo concursos de programas de rádio na capital gaúcha e imitando, descaradamente e com perfeição, o ídolo Angela Maria. A inspiração da Sapoti acompanhou Elis até o fim.

Porto Alegre, naturalmente, ficou pequena para a cantora e em 31 de março de 1964 Elis desembarcou no Rio de Janeiro com o pai, que trazia no bolso uma carta de recomendação do PTB, o partido do presidente João Goulart, deposto em golpe militar no dia seguinte. Foi preciso se virar. Primeiro, chamou a atenção dos músicos que animavam a noite carioca, especialmente pela emissão e divisão rítmica. Um espanto, ninguém até ali ouvira nada parecido. Um passo importante para conquistar a amizade de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, que confiaram a ela a defesa de Arrastão no festival da TV Excelsior de 1965. Pronto. O Brasil tinha uma estrela que brilharia pelos próximos 17 anos. Nossa primeira cantora moderna. A era do rádio ficara, para sempre, no passado.
Até o fim dos 1960 só deu Elis. No Fino da Bossa, programa de maior audiência da TV Record, dividiu o palco com mais de 60 artistas de todos os gêneros da música brasileira.  Alguns duetos, como o com Elza Soares são registros de um tempo que, se não volta mais, pode ao menos servir de inspiração para quem se aventurar.
Mas estava tudo bom demais para ser verdade. Roberto, Erasmo e Wanderléa não estavam para brincadeira. O iêiêiê, a Jovem Guarda, decretou a morte do Fino e uma disputa inusitada, engraçadíssima vista de hoje, pôs a turma do samba em pé de guerra contra a turma do rock. Sobrou para a guitarra elétrica, um dos instrumentos que compõem a base harmônica da música brasileira desde os anos 1920. Houve até passeata contra ela no centro de São Paulo. Elis, Gilberto Gil e Edu Lobo à frente.
Ciclotímica, como se chamavam na época os bipolares, são impressionantes os relatos dos que conviveram com Elis e viram de perto suas mudanças bruscas de comportamento. Em cinco minutos ia da depressão à euforia ou vice-versa. Por isso não levou muito tempo para incorporar a “maldita” guitarra a suas bandas.  E o resultado foi espetacular.
Em três discos, dois produzidos por Nelson Motta em 1970 e 1971, a ciclotimia se manifestou de forma inequívoca. Está tudo lá. Guitarras, Roberto e Erasmo, autores de As Curvas da Estrada de Santos, Se você pensa e Mundo Deserto e, não bastasse, a apresentação de um cantor novo, um tal de Tim Maia com quem divide “These are the songs”. Há ainda uma gravação memorável de “Golden slumbers”, de Lennon e McCartney, e outra não menos, “Cinema Olympia”, de Caetano Veloso.

Nos anos seguintes, ao lado de Cesar Camargo Mariano, dublê de marido e maestro, Elis viveu seus anos dourados que a música, penhoradamente, agradece. Aperfeiçoou a técnica, descobriu mais de uma dezena de bons compositores, gravou discos antológicos e produziu shows idem.  Que disco é capaz de reunir, como no LP de 1972, “Águas de março” (Tom Jobim), “Atrás da porta” (Francis Hime e Chico Buarque), “Mucuripe” (Fagner e Belchior) e “Bala com bala” (João Bosco e Aldir Blanc), entre outras joias raras? Pergunta que permanece sem resposta, quarenta anos depois.
Sua obra-prima, no entanto, estava reservada para dois anos depois quando, ao lado de Tom Jobim, gravou, em Los Angeles, na modesta opinião deste redator, o melhor disco da música brasileira de todos os tempos, Elis & Tom. Nossa cantora mais talentosa ao lado do mais inspirado compositor. Juntos. E para sempre.
Nos palcos, Elis deu início a uma revolução. Em sua carreira e na maneira de se conceber e produzir espetáculos no Brasil. Música, teatro e dança, tudo ao mesmo tempo agora como no show “Falso Brilhante”, de 1976.  Antes de sua morte ela ainda estrelaria quatro grandes espetáculos: O Trem Azul, Saudade do Brasil, Essa Mulher e Transversal do Tempo. Neste último, panfletário do início ao fim, deu a impressão de querer sair do palco e derrubar a ditadura. Pessoalmente. Não perdeu a oportunidade de hostilizar Caetano Veloso, numa versão debochada de um trecho da música “Gente”.
Àquela altura, 1978, o pessoal da cultura se dividia entre duas patrulhas. A ideológica, da qual Elis fazia parte, e a odara, da qual Caetano era uma espécie de fundador e comandante em chefe. Enquanto a Patrulha Odara via com desdém as manifestações explícitas de horror à ditadura, a Patrulha Ideológica cobrava engajamento político dos que se dedicavam a cultuar a beleza e o prazer e que produziram coisas belas e prazerosas no período, como a música “Odara”, de Caetano.  Uma bobagem.
Nos últimos anos de sua vida breve, de 36 anos, Elis já era uma das maiores, senão a maior cantora popular em atividade no planeta.  Quando morreu, em 1982, o povo e a imprensa foram generosos, exceção da revista Veja, que serviu um aperitivo do que se tornaria vinte anos depois: informações jamais confirmadas e muita ficção para atingir a imagem da cantora. Caetano Veloso protestou, com veemência, na TV Globo, dizendo que os filhos de Elis precisavam saber que a mãe não era a pessoa de que a revista falava. Veja vendeu muitos exemplares e perdeu muito prestígio.

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* Comentário da blogueira: o bairro onde Elis Regina nasceu chama-se IAPI, fica na zona norte de Porto Alegre, e possui como característica prédios com até três andares e um modelo de arquitetura que mescla os prédios com diversas áreas verdes, como praças ou parques, próprio para famílias de operários residirem (foi um bairro criado para trabalhadores viverem). 



Segue, só para ilustrar, um vídeo da cantora:

9 de jan. de 2012

Dica de filme antigo: Olga

Janeiro, mês de férias, o blog traz uma dica de um filme brasileiro antigo, lançado em 2004: Olga.

O filme é baseado no livro de Fernando Morais, também chamado "Olga", e trata de forma romanceada a biografia da alemã judia Olga Benário que veio para o Brasil com o objetivo de auxiliar a implantação de uma revolução que levasse o Brasil a se tornar um país comunista, em meados da década de 1930.
Aqui no Brasil, ela foi escalada como segurança de Luis Carlos Prestes. Prestes era militar e uma figura conhecida por liderar um movimento de oposição ao governo que percorreu o interior do Brasil e ficou conhecido como "Coluna Prestes". Em 1935, durante o governo de Getúlio Vargas, a tentativa de revolução por parte de Prestes, Olga, outros dirigentes do Partido Comunista e da Aliança Nacional Libertadora, acabou não dando certo e o movimento ficou conhecido como "Intentona Comunista".
Nesse meio tempo, Prestes foi preso e Olga também. No entanto, o governo Vargas queria deportá-la para a Alemanha, que estava sob o comando de Hitler. Olga descobriu que está grávida de Prestes e permaneceu no Brasil enquanto a gestação e o período de amamentação da filha ocorreram. Logo depois ela foi deportada para a Alemanha. Imaginem que fim teve uma mulher judia em plena Alemanha de Hitler?

Indico tanto o livro quanto o filme. Na verdade, eu li o livro há muito tempo, nem estava na faculdade ainda, mas achei muito interessante. O filme eu vi no colégio também, quando estava estudando o governo Vargas e a Segunda Guerra Mundial. Segue abaixo o link do trailer:



Enfim, se a Sessão da Tarde estiver com a "Lagoa Azul", aproveite e olhe "Olga"!

Inté!

31 de dez. de 2011

Passado inglório: Ditadura Civil-Militar Brasileira

Olá pessoal!

Hoje o texto não é meu, é uma matéria online da Carta Capital sobre a Ditadura Civil-Militar Brasileira e suas consequências posteriores para a sociedade e o Estado brasileiro. O texto também aborda a questão da Comissão da Verdade, que foi aprovada recentemente para investigar os crimes ocorrido durante a Ditadura.

Eis a reportagem, retirada daqui:


À sombra da ditadura

Este será um ano lembrado, entre outras coisas, como aquele no qual o Brasil se viu assombrado por seu passado. Durante décadas, o País tudo fez para nada fazer no que se refere ao acerto de contas com os crimes contra a humanidade perpetrados pela ditadura. Isso o transformou em um pária do direito internacional, objeto de processos em cortes penais no exterior. Contrariamente a países como Argentina, Uruguai e Chile, o Brasil conseguiu a façanha de não julgar torturador algum, de continuar a ter desaparecidos políticos e de proteger aqueles que se serviram do aparato de Estado para sequestrar, estuprar, ocultar cadáveres e assassinar.
O Brasil não julgou seus torturadores e virou pária do direito internacional. Sua polícia é o reflexo. Foto: Domicio Pinheiro/AE
Nesse sentido, não é estranho que convivamos até hoje com um aparato policial que tortura mais do que se torturava na própria época da ditadura. Aparato completamente minado por milícias, grupos de extorsão e extermínio, assim como pela violência gratuita contra setores desfavorecidos da população. A brutalidade securitária continua a nos assombrar. Este é apenas um dos preços pagos por uma sociedade incapaz de dissociar-se dos crimes de seu passado recente.
Outro preço é o tema que mais assombra certos setores da classe média brasileira, a saber, a corrupção. Esquece-se muito facilmente como a ditadura foi um dos períodos de maior corrupção do Brasil. Basta lembrar-se de casos como Capemi, Coroa-Brastel, Lutfalla, Baum-garten, Tucuruí, Banco Econômico, Transamazônica, Ponte Rio-Niterói, entre tantos outros. Eles demonstram a consolidação de um modus operandi na relação entre Estado e empresariado nacional que herdamos da ditadura. Talvez não seja por acaso que boa parte dos casos de corrupção que assolam o País tenha participação de empresas que praticam negócios escusos desde a ditadura. Empresas que tiveram participação ativa, por exemplo, no financiamento da Operação Bandeirantes.
Corrupção e violência policial são apenas dois aspectos do que restou da ditadura. Poderíamos lembrar ainda do caráter imperfeito da democracia brasileira. Temos leis herdadas de períodos totalitários que se esconderam em nosso ordenamento jurídico. Ou seja, esperamos por uma reforma jurídica que racionalize nosso direito a partir de princípios gerais de liberdade social. Seria bom lembrar como temos uma lei constitucional que legaliza golpes militares. Basta lermos com calma o Artigo 142, no qual as Forças Armadas são descritas como “garantidoras dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Ou seja, basta, digamos, o presidente do Senado pedir a intervenção militar em garantia da lei (mas qual? sob qual interpretação?) e da ordem (social? moral? jurídica?) para que um golpe militar esteja legalizado constitucionalmente.
Diante desse cenário de desagregação normativa da vida social por causa da incapacidade da sociedade brasileira de elaborar seu passado, poderia esperar-se que a instalação de uma Comissão da Verdade servisse para iniciar um real processo de reconciliação nacional. Temos, porém, sólidas razões para -duvidarmos disso.
Leia mais:

Um dos pontos mais aberrantes da comissão é a indicação de que seus integrantes devam ser pessoas “isentas”. Uma piada de mau gosto. Há de se perguntar quem seria suficientemente amoral para ser isento diante de crimes contra a humanidade e atos bárbaros de violência estatal contra setores descontentes da população. Quem pode ser isento diante da informação de que integrantes do Exército, no combate à Guerrilha do Araguaia, jogavam camponeses de helicópteros e estupravam mulheres da região? Há algo de profundamente intolerável em pedidos de “isenção” nesse contexto.
Um dos exemplos pedagógicos de tal isenção pode ser encontrado no próprio dia de anúncio da criação da Comissão da Verdade. Diante da pressão dos militares, Vera Paiva, filha do deputado desaparecido Rubem Paiva, não pôde ler seu discurso, deixando os parentes de desaparecidos sem voz. Não poderia haver gesto mais simbólico e prenhe de significado. Não haverá voz para enunciar demandas de Justiça que não são apenas de familiares, mas de toda a sociedade brasileira.
Em crimes como os cometidos pela ditadura, não estamos a lidar com o sofrimento individual. Este é um erro cometido inclusive por setores de esquerda que querem “resolver tudo isso o mais rápido possível”. Eles compraram a ideia de que se trata apenas de encontrar reparação adequada para o sofrimento individual, seja por meio de compensações financeiras, seja por meio de anulação de atos que portaram prejuízo a um grupo reduzido de pessoas. Estamos, no entanto, lidando neste caso com um sofrimento social. Ou seja, toda a sociedade sofreu e ainda sofre por meio do “corpo torturável” desses indivíduos. Ela sabe que a violência estatal ainda paira como uma espada de Dâmocles por sobre nossas cabeças. Ela pode explodir de maneira a mais irracional, como um conteúdo recalcado que retorna lá de onde menos esperamos.
Por outro lado, é claro que tais demandas de “isenção” escondem o pior dos raciocínios, a saber, a defesa de que a violência de um Estado ilegal contra a população equivale à violência de setores da população contra o aparato repressivo do Estado. “Temos de julgar também os terroristas”, é o que dizem.
Aqui talvez seja o caso de se perguntar: Para que serve a verdade? Alguns acreditam que a verdade serve principalmente para reconciliar. Ou seja, sua enunciação forneceria o quadro de um reconhecimento dos danos ocasionados no passado. Tal reconhecimento, por mais simbólico que seja, teria a força de produzir conciliações e versões unificadas da história nacional.
A Comissão da Verdade só fará sentido se os crimes forem reconhecidos e seus responsáveis pedirem perdão. Até lá, casos como o policiamento agressivo de favelas serão temas comuns no Brasil. Foto: Fábio Motta/AE
Não creio que isso possa ocorrer. Sempre teremos leituras divergentes e irreconciliáveis do que foi a ditadura. Sempre haverá os que dirão que os militares nos salvaram da transformação do Brasil em uma ditadura comunista. Por isso, talvez seja o caso de dizer que a enunciação da verdade não serve para conciliar. Ela serve para romper. Ela rompe com o medonho exercício de desresponsabilização que foi colocado em marcha no Brasil. Rompe com a tentativa de colocar no mesmo patamar quem usurpa o poder e cria um Estado de medo e aqueles que se voltam contra tal situação. Desde o Evangelho sabemos isso: a verdade não tem o poder de unir. Ela tem a força de cortar.
É importante dizer isso porque corremos o risco de ver a Comissão da Verdade se transformar em uma macabra validação da famosa “teoria dos dois demônios”. Certamente haverá a tendência em colocar em circulação a necessidade de investigar os “crimes feitos pelos terroristas de esquerda”. Por isso creio ser mais que necessário perder o medo de dizer em alto e bom som: toda ação contra um governo ilegal é uma ação legal. Um Estado ilegal não pode julgar ações contra si por ser ele próprio algo mais próximo de uma associação criminosa. Esta era a situação brasileira.
Pois podemos dizer que dois princípios maiores fundam a experiência de modernização política que caracteriza a tradição da qual fazemos parte. O primeiro desses princípios afirma que um governo só é legítimo quando se funda sobre a vontade soberana de um povo- -livre. O segundo princípio afirma o direito à resistência. Mesmo a tradição política liberal admite, ao menos desde John Locke, o direito que todo cidadão tem de assassinar o tirano, de lutar de todas as formas contra aquele que usurpa o poder e impõe um Estado de terror, de censura, de suspensão das garantias de integridade social. Nessas situações, a democracia reconhece o direito à violência.
Costuma-se dizer que o direito à resistência não pode ser aplicado ao caso brasileiro já que a repressão caiu exclusivamente sobre os ombros de integrantes da luta armada que procuravam criar um governo comunista e totalitário no Brasil. Mas a afirmação é falsa. A repressão agiu contra toda forma de resistência, não só aquela da luta armada. O deputado Rubem Paiva, assim como vários sindicalistas e estudantes não faziam parte da luta armada e foram brutalmente mortos. Diz-se que estávamos em uma guerra e “efeitos colaterais” são produzidos. Mas, mesmo em situações de guerra, abusos são punidos.
Por outro lado, contrariamente ao que ocorreu na Argentina, os grupos de guerrilha apareceram no Brasil a partir do golpe militar, ou seja, se não houvesse ditadura não haveria grupos de guerrilha, a não ser focos isolados e completamente irrelevantes. É bom lembrar que boa parte daqueles que se engajaram na guerrilha tinha apenas uma vaga ideia do que queria, mas tinha uma ideia muito clara do que não queria. Lembre-se ainda que o direito à resistência não se anula pelo fato de defender outro regime de governo. Não por outra razão, líderes comunistas ainda são vistos como heróis da resistência na Europa.
Por essas razões, a única reconciliação possível ocorrerá quando aplicarmos no Brasil o que foi feito na África do Sul. O que queremos não é a cadeia para generais octogenários. Queremos que os responsáveis pelos crimes da ditadura peçam perdão, em sessão pública, diante dos familiares e torturados. Se o perdão é o gesto que reconcilia e apaga as feridas do passado, há de se lembrar que só pode haver perdão onde há reconhecimento do crime. Que a Comissão da Verdade não sirva para, mais uma vez, tentarem nos extorquir uma falsa reconciliação.

19 de dez. de 2011

Boas Festas!!!

Uma árvore de livros é o sonho de qualquer professor de História!

Olá pessoal!

Antes de mais nada, devo salientar que o blog passou de 300 acessos em meio ano de existência. Fiquei super contente, pois o blog surgiu despretensiosamente através dos meus textos para os estágios, além de outras atividades em que estou envolvida pelo curso de História. Espero que ano que vem ele cresça mais e eu consiga alimentá-lo com bons conteúdos.

Como todos devem imaginar, entrei de férias!!! Portanto, a produção de textos e materiais para o blog diminuirá, mas prometo que não o abandonarei nesse período de folga. Antes de março eu apareço por aqui!

Para finalizar, desejo um Feliz Natal e um ótimo 2012, com muitas histórias para contar! (piada mais que batida para quem é estudante de História! hehehe).

Inté!

7 de dez. de 2011

Dom João por aqui: mudanças em relação à colônia brasileira

1807: o impasse.

A situação de Dom João em 1807 não era das melhores: se fosse contra o Napoleão Bonaparte e ficasse do lado de sua aliada Inglaterra, seria invadido pelas tropas francesas que já estavam na Espanha e perderia o trono português. O que fazer diante disso? A saída encontrada foi muito inteligente: transferir toda a Corte para a colônia mais rica da época, o Brasil. Dessa forma, o Bloqueio Continental não seria aceito, a amizade entre a Inglaterra e Portugal não seria quebrada e a Coroa Portuguesa permaneceria com a família Bragança.

Quem seria a Corte?

A Corte é formada pela família real e todos os nobres portugueses que são importantes e possuem prestígio (admiração, valor social) com Dom João. Esses nobres poderiam ser funcionários do governo, como ministros, conselheiros reais, juízes, generais militares, comerciantes poderosos, alto clero (cardeais, arcebispos), etc.

Rio de Janeiro: centro das decisões políticas e econômicas do Governo Português. 

A novidade desse episódio da vinda da Corte Portuguesa é que o Brasil não seria mais uma simples colônia que precisava esperar as ordens de Lisboa. Como o príncipe regente Dom João e toda a Corte estavam aqui no Rio de Janeiro, Lisboa deixava de ser a capital do Governo Português e passava a receber ordens que vinham do Rio de Janeiro, onde o príncipe regente estava. O aparelho burocrático (onde todas as decisões sobre as colônias e a metrópole eram tomadas) foi transferido para o Brasil e qualquer decisão importante ficava nas mãos de Dom João e seus ministros, como acontecia em Lisboa.
O Brasil ainda era uma colônia portuguesa em 1808, porém começava a ter vantagens sobre as outras e inclusive sobre Portugal. Por exemplo: antes de 1808, quem tinha algum processo judicial importante precisava viajar três meses até Portugal para tentar resolver seus problemas. Isso custava muito dinheiro e tempo. Agora com o Governo Português por aqui, era mais fácil resolver problemas administrativos ou judiciais.
Além disso, os próprios moradores ricos do Rio de Janeiro conseguiam ganhar prestígio e vantagens com Dom João por aqui, pois podiam organizar um baile para convidar todos os nobres portugueses e o príncipe, conseguindo se aproximar de Dom João e pedir favores, como um emprego na administração ou um título de nobre (conde, barão, duque, etc.). Participar de eventos da Corte era novidade dentro de uma colônia, por isso era preciso aprender os costumes dos europeus: comer de garfo e faca, aprender a etiqueta em cerimônias, ostentar jóias e roupas luxuosas, etc.
Foi preciso uma reorganização no aparelho administrativo do Governo Português para criar muitas vagas de emprego para a Corte portuguesa que veio com Dom João e ainda abrir espaço para os que aqui moravam e queriam ter uma renda do governo. Com tantas pessoas dependendo do dinheiro de Dom João, os impostos aumentaram e um banco (Banco do Brasil) precisou ser criado para conseguir pagar os gastos, gerar mais dinheiro e sustentar tanto os portugueses como os colonos.

21 de nov. de 2011

Dia da Consciência Negra (2)

Olá pessoal!

Como o Dia da Consciência Negra nesse ano caiu em um domingo, aproveito essa semana também para escrever mais um pouco sobre esse tema. Como boa professora de História que pretendo ser, é mais do que necessário abordar a questão dos afrodescendentes na escola, se queremos que algumas atitudes mudem nesse país e que o preconceito racial diminua na sociedade.

Aproveitando as ferramentas da internet, posto um vídeo do youtube com a música Identidade, gravada pelo sambista Jorge Aragão:


A letra segue pelo vídeo, mas vou colocá-la aqui também (com alguns destaques feitos por mim):

Identidade
Jorge Aragão

Elevador é quase um templo
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai...
Quem cede a vez não quer vitória
Somos herança da memória
Temos a cor da noite
Filhos de todo açoite
Fato real de nossa história

Se o preto de alma branca pra você
É o exemplo da dignidade
Não nos ajuda, só nos faz sofrer
Nem resgata nossa identidade


Elevador é quase um templo
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai...
Quem cede a vez não quer vitória
Somos herança da memória
Temos a cor da noite
Filhos de todo açoite
Fato real de nossa história

Se o preto de alma branca pra você
É o exemplo da dignidade
Não nos ajuda, só nos faz sofrer
Nem resgata nossa identidade

Elevador é quase um templo
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai...
Quem cede a vez não quer vitória
Somos herança da memória
Temos a cor da noite
Filhos de todo açoite
Fato real de nossa história


Agora um outro videozinho, de uma campanha contra o racismo:


Vocês viram que um simples local, como o elevador, pode ser símbolo de um preconceito e discriminação racial? 
Elevador de serviços é para as compras e para aqueles que estão trabalhando (entrega de rancho, carteiro, motorista, etc). Já o elevador social pertence aos moradores, portanto não é local para que entregadores e pessoas que estão trabalhando transitarem. A situação piora se o condomínio for bem localizado, na parte mais chique da cidade. Nesses locais, pessoas negras são caracterizadas como pobres, entregadores ou assaltantes, portanto merecem uma maior atenção da parte de segurança do prédio.

O racismo no Brasil é presente, mas de maneira sutil. Não há uma política de Estado que divida brancos e negros, porém há atitudes que demonstram a divisão social e racial das pessoas, como utilizar um simples elevador em um condomínio chique. "Mas ele pode estar aqui? Não deveria utilizar o de serviço?", a pergunta pode pairar no ar de maneira preconceituosa.

20 de nov. de 2011

Hoje, dia 20 de Novembro, é dia da Consciência Negra!



Por que escolheram essa data? No dia 20 de Novembro de 1695 morria Zumbi dos Palmares, figura histórica negra muito importante, pois foi um dos líderes do Quilombo dos Palmares, que se localizava na atual região do Alagoas.

Na época da escravidão no Brasil, quilombo era um local em que negros fugidos ou alforriados moravam e conviviam longe das regras da sociedade escravocrata. Normalmente, o quilombo ficava em um local escondido, ou de difícil localização, para dificultar o contato com outras pessoas e por em risco os escravos que lá estavam. O Quilombo dos Palmares foi um dos quilombos mais famosos, que durou muito tempo e abrigou muitos escravos. O último líder desse quilombo foi Zumbi dos Palmares.

Celebrar o 20 de Novembro como dia da Consciência Negra é procurar destacar o papel do negro na sociedade brasileira ao longo do tempo. É destacar a sua atuação de forma ativa na história do Brasil. Antes do dia 20 de Novembro, celebrava-se a Abolição da Escravatura (13/Maio/1888). Porém, a assinatura da Princesa Isabel dá a ideia de concessão: a liberdade dos negros escravos foi “concedida”, “dada” pela Princesa, não demonstrando a luta que os afrodescendentes tiveram ao longo do tempo pela liberdade.

Luta essa que não terminou: o preconceito racial está todos os dias em cada cidade desse Brasil. “Trabalho de Negro”, “Preto bandido”, “Neguinha atrevida”, e mais outras expressões que demonstram o preconceito de 300 anos de regime escravista. Sim, pessoal, não nascemos na época da escravidão, no entanto, não estamos livres de absorver preconceitos e pensamentos que estão pela sociedade e se reproduzem a cada dia.

Inté!